Reminiscências
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  Memória da Hidrografia (16)



VICE-ALMIRANTE
MANOEL JOSÉ NOGUEIRA DA GAMA

É considerado, com justiça, o pioneiro e, mesmo, o criador da Hidrografia brasileira contemporânea.

Nos primeiros postos da carreira, foi exímio Encarregado de Navegação a bordo do Tamoio, em 1901, e na viagem de circunavegação do Benjamin Constant, em 1908; nesta viagem, teve oportunidade de redeterminar, com sucesso, as coordenadas da Ilha de Wake, no Pacífico, de longitude até então imprecisa.

Capitão-de-Corveta, na Primeira Guerra Mundial, comandara o Contratorpedeiro Paraíba, na Divisão Naval de Operações de Guerra. Como Capitão-de-Fragata, comandou o Cruzador Barroso.

Desde 1927, servindo na Diretoria de Navegação e no comando do Encouraçado Floriano, executou missões hidrográficas no porto de Vitória e na baía da Ilha Grande.

Graças a seus esforços, foi criada a especialidade de Hidrografia e Navegação e organizado o primeiro curso de formação dos oficiais hidrógrafos, o que permitiu aos trabalhos da Diretoria uma continuidade até então inexistente.

Nogueira da Gama retirou-se do serviço ativo em 1933, após 48 anos e meio de excepcionais serviços prestados. Faleceu em 1° de dezembro de 1950.

 

  Memória da Hidrografia (17)



INSTITUCIONALIZAÇÃO DA HIDROGRAFIA CONTEMPORÂNEA

Em 1931, Nogueira da Gama, na Divisão de Hidrografia e no comando do Encouraçado Floriano, obteve o embarque de seis tenentes: Levy Pena Aarão Reis, Paulo Teles Bardy, Djalma Garnier, Fernando Saldanha da Gama Frota, José Santos de Saldanha da Gama e Augusto Lopes da Cruz - os três primeiros como membros de uma comissão hidrográfica e os outros para a tripulação.

Depois de prepará-los devidamente, com eles prosseguiu o levantamento das baías de Mangaratiba e Ilha Grande.

Tal levantamento foi escola e laboratório. Utilizaram-se novos equipamentos e novos métodos. Com os resultados publicou-se, em branco e preto, numa gráfica particular, a carta da Enseada de Sepetiba.

Das experiências e observações no campo, com a criação da especialidade e com o primeiro curso, resultou o que se pode chamar de institucionalização do serviço. Deixaram os levantamentos de ser fruto de iniciativas pessoais, com resultados efêmeros, para seguirem programas pré-estabelecidos, obedecendo a política, orientação e metodologia permanentes.

A luta de Nogueira da Gama foi reforçada pela dedicação dos primeiros hidrógrafos, que atualizavam publicações técnicas, fixavam precisões a alcançar, selecionavam novos métodos de trabalho. Impulsionava-os o entusiasmo do Diretor, Almirante Graça Aranha.

A incorporação do NHi Rio Branco, para emprego exclusivo nos levantamentos, completou o esforço, deixando uma tradição de empenho que passou a reger o procedimento das subseqüentes gerações de hidrógrafos.

 

  Fotos Memoráveis (04)
Fotos fornecidas por Gabriel

Manobra de Helicóptero no Canopus em 1961

Faina de Helicóptero no Canopus em 1961

Manobra da "Cabrita" na Ilha da Trindade pelo Canopus

Desembarque na Ilha da Trindade pela "Cabrita", no Canopus

O Canopus ao largo da Ilha da Trindade

Manobra de EDVP no Canopus

Içamento da poita de uma bóia pela equipe do Canopus

Vista do alto do Farol de Abrolhos, 1961

Fundeando ao largo do Farol de Abrolhos, 1961

 

  Memória da Hidrografia (18)



DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO
BREVE HISTÓRICO

Criada por decreto imperial de 2 de fevereiro de 1876, como Repartição Hidrográfica, a DHN é depositária das tradições de exemplar dedicação e rigoroso profissionalismo em cartografia náutica.

Sua Missão tem como propósito apoiar a aplicação do Poder Naval e contribuir para a segurança da navegação na área marítima de interesse do Brasil e nas vias navegáveis interiores. É o que inspira, permanentemente, cada um dos setores da atividade que a Diretoria desenvolve:

Na hidrografia, na sinalização náutica, na oceanografia e na meteorologia, produzindo cartas ou documentos operativos, implantando e mantendo a iluminação da costa, realizando previsões ambientais ou estatísticas climatológicas, a DHN se afirma, indispensável ao Poder Marítimo, valioso instrumento do Poder Naval.

Sempre atenta à evolução científica e tecnológica, a Repartição de Vital de Oliveira, ontem como hoje, é fiel à Missão recebida.

 

  Memória da Hidrografia (19)



ILHA FISCAL
SEDE HISTÓRICA DA HIDROGRAFIA BRASILEIRA

Ilha dos Ratos. Sob esse nome prosaico, nada elogioso, existia uma pequena ilha, constituída apenas de um aglomerado de pedras, na baía de Guanabara.

Mais tarde, aterrada e com outro nome, seria sede da Hidrografia brasileira.

A transformação teria início com Del Vecchio, que construiu, de 1881 a 1889, um dos mais belos monumentos do período imperial no Rio de Janeiro. E o novo nome: Ilha Fiscal, por destinar-se à Alfândega.

Arquitetonicamente deslumbrante, destaca-se hoje na paisagem da Guanabara, ponto de atração indispensável, linhas extraordinárias, torres pontiagudas, mística verticalidade.

A 9 de novembro de 1889, pouco antes da Proclamação da República, realizava-se ali o Último Baile do Império, homenagem à oficialidade do Almirante Cochrane, navio de guerra chileno.

Em 1893, na Revolta da Armada, teve os vitrais quebrados e as paredes crivadas de balas de canhão.

Mas a glória maior foi abrigar, desde 1914, a Repartição Hidrográfica.

 

  Memória da Hidrografia (20)



ALMIRANTE-DE-ESQUADRA
ANTÔNIO ALVES CÂMARA JÚNIOR

Nascido em Salvador, Bahia, a 5 de junho de 1891, seguiu os passos do pai ilustre, Almirante Antônio Alves Câmara.

Jovem Oficial, participou da Primeira Guerra Mundial, na Divisão Naval de Operações de Guerra, a bordo do cruzador Bahia.

Desde os primeiros postos, destacou-se como hidrógrafo, tendo assumido, por reconhecidos méritos, o comando do Navio Hidrográfico Rio Branco, no qual realizou importantes levantamentos entre o Rio de Janeiro e Santos. Chefiou, ainda, a comissão hidrográfica entre a Ponta de Santo Antônio e Porto Seguro, em estudos da Carta de Pero Vaz de Caminha, para determinar o exato local de desembarque dos descobridores.

No primeiro curso de Hidrografia, os então Capitães-Tenentes Câmara e Ary Rongel foram designados instrutores, pelo que passaram a ser classificados como os primeiros detentores da especialidade.

Na Segunda Guerra Mundial, comandou o Contratorpedeiro Mariz e Barros e, mais tarde, o Encouraçado São Paulo e a Flotilha de Contratorpedeiros.

Por duas vezes foi, como Almirante, Diretor Geral de Hidrografia e Navegação: de 1946 a 1949, quando reorganizou, no pós-guerra, os serviços de hidrografia e balizamento, e em 1952, após ter dirigido a Escola Naval de 1949 a 1952.

Já Secretário Geral da Marinha, em fevereiro de 1954, foi nomeado Ministro da Marinha, tendo falecido a 14 de agosto de 1958, no exercício desse elevado cargo.

 

 


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