Reminiscências
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Tópicos da Seção Reminiscências
Memória da Hidrografia (31)
PRESENÇA BRASILEIRA NA ANTÁRTICA
Memória da Hidrografia (32)
Fotos Memoráveis (07)
Memória da Hidrografia (33)
PRESENÇA BRASILEIRA NA ANTÁRTICA
Memória da Hidrografia (34)
Memória da Hidrografia (35)
PRESENÇA DA DHN NA ANTÁRTICA
PRIMÓRDIOS
O tratado de Tordesilhas, em 1494, fazia referência a uma linha direta de pólo a pólo. A disposição portuguesa de aventurar-se para o sul, no século XIV, encontra eco em Os Lusíadas: "...Sempre, enfim, para o Austro a aguda proa...". O Cabo das Tormentas, onde pereceu Bartolomeu Dias em 1487, será um marco, na epopéia dos navegadores, da proximidade dos frios antárticos, cantados por Camões.
Expedições estrangeiras tiveram por base o Brasil, no século XIX, para chegarem à Antártica:
O belga Adrian de Guerlach, que desfraldou pela primeira vez o pavilhão nacional e deu nomes de brasileiros a acidentes geográficos naquele continente: Ilhas Cruls, Ilhas Sampaio Ferraz.
O francês Jean Baptiste Charcot, que batizou duas montanhas e um arquipélago com os nomes de Rio Branco, Alencar (ministro da Marinha, na época) e Pernambuco
PRESENÇA BRASILEIRA NA ANTÁRTICA
PIONEIROS
Primeira atividade científica nacional fora do País: em 1882, duas
expedições brasileiras iriam observar a passagem de Vênus pelo disco solar: uma, chefiada pelo Capitão-de-Fragata Antônio Luiz von Hoonholtz, na
região equatorial; outra, com a Corveta Parnaíba, na região subantártica, sob o comando do Capitão-de-Fragata Luiz Filippe de Saldanha da Gama, levando o astrônomo Luiz Cruls e baseada em Punta Arenas, no Chile.
Primeiras sementes: Therezinha de Castro, que publicou, em 1956, o artigo "A Questão da Antártica", defendendo a presença brasileira naquele continente; Eurípedes Cardoso de Menezes, deputado que adotou a causa e lutou por ela na área política; e o Engenheiro João Aristides Wiltgen, que fundou o Instituto Brasileiro de Estudos Antárticos (IBEA), em 1972, muito contribuíram para despertar o interesse pelo continente austral.
Primeiras presenças: o primeiro brasileiro a visitar a Antártica foi o Dr. Durval Rosa Borges, médico e jornalista, membro da Sociedade Geográfica Brasileira, durante o Ano Geofísico Internacional (1957/58); o
meteorologista e professor Rubens Junqueira Villela foi o primeiro brasileiro a atingir o Pólo Sul, a 17 de novembro de 1961, quando integrava uma expedição norte-americana à Antártica, com sede no quebra-gelo
Glacier.
Fotos fornecidas por Daltro
Faina de Balizamento na Ilha Grande (1/3)
Faina de Balizamento na Ilha Grande (2/3)
Faina de Balizamento na Ilha Grande (3/3)
Passagem de Comando do Av Rio Branco
Foto fornecida por Gabriel
Farol de S. Tomé, 1961
Fotos de "NoMar"
Navio de Apoio Oceanográfico "Ary Rongel"
Navio Balizador "Comandante Manhães"
Navio Balizador "Faroleiro Mário Seixas"
ASPECTOS POLÍTICOS
Em maio de 1975, o Brasil assinou o Tratado da Antártica, passando a integrá-lo como membro aderente, sem direito a voto nas deliberações.
No segundo semestre desse mesmo ano, criou-se um grupo de trabalho interministerial, sob coordenação do Ministro das Relações Exteriores, com o propósito de reunir subsídios para a formulação de uma política nacional relativa ao assunto e propor as primeiras medidas concretas para a atuação brasileira na Antártica.
O grupo de trabalho, que contava com a participação de oficiais hidrógrafos, propiciou a criação dos fundamentos da política antártica brasileira.
Mas somente em 1981 o Governo decidiu ativar o Programa Antártico e enviar nossa primeira expedição ao continente austral.
PRESENÇA BRASILEIRA NA ANTÁRTICA
PARTICIPAÇÃO DA MARINHA
No início da década de sessenta, oficiais hidrógrafos
passaram a atuar como observadores, em expedições chilenas à Antártica. Posteriormente, oficiais de outras especialidades também acompanharam operações inglesas, argentinas, russas e alemãs, além das chilenas.
Com a decisão adotada pelo Governo em 1981, de enviar uma expedição brasileira à Antártica, adquiriu-se à Dinamarca um navio polar, o Thala Dan, que recebeu, no Brasil, a classificação de Navio de Apoio
Oceanográfico e o nome de Barão de Teffé.
A fim de evitar despesas decorrentes da criação de novo órgão, como se preconizara inicialmente, as tarefas que competiriam àquele foram atribuídas à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), com sua secretaria executiva, a SECIRM, conduzida pelo Ministério da Marinha.
A primeira expedição à Antártica ocorrerá no verão austral de 1982/83, com o Barão de Teffé e o Professor Besnard. Este era um pequeno navio, da Universidade de São Paulo, que galhardamente enfrentava os mares
tempestuosos do Canal de Drake, ajudando a fixar no continente gelado a presença do nosso País. Até 1987, ele resistirá aos embates das ondas com sua pequena estrutura, exemplo de determinação e coragem dos que trabalham em ciência oceânica no Brasil.
No verão austral de 1982/83, enviava o Brasil a sua primeira expedição à Antártica. Dela fazia parte o NApOc Barão de Teffé, que tinha, entre outros, os propósitos de realizar reconhecimento hidrográfico e escolher o local mais favorável para a primeira estação brasileira.
Como conseqüência dessa expedição, o Brasil passou a ser membro consultivo do Tratado da Antártica. A operação seguinte, no verão de 83/84, tinha o propósito de aumentar a presença brasileira nas pesquisas antárticas. O Barão de Teffé conduzia os módulos da estação que receberia o nome
Comandante Ferraz, homenagem póstuma ao Capitão-de-Fragata Luiz Antonio de Carvalho Ferraz, por sua intensa participação no projeto antártico brasileiro.
Durante essa comissão, o Teffé hidrografou a baía do Almirantado, obtendo dados para a construção de nossa primeira carta da região antártica.
Nas operações seguintes, a estação foi ampliada e a participação do País se consolidou, notadamente com a expansão da permanência das equipes: desde 1985, a ocupação de Ferraz passou a ser em tempo integral, com as equipes de verão e inverno revezando-se. Em 1986/87, o NOc Almirante Câmara cumpriu pesquisa geofísica e, em 1989/90, o NOc Álvaro Alberto operação logística, ambas na região antártica. Em 1994, foi incorporado o NApOc Ary Rongel, substituindo o Teffé.
Um desafio vencido, pelo Brasil. A DHN, afeita a desafios, esteve sempre presente: com seus navios, o Teffé, o Câmara e o Álvaro Alberto, e com a equipe hidrográfica pioneira.