Reminiscências
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  Memória da Hidrografia (41)


 

NAVIOS HISTÓRICOS
NAVIO-ESCOLA (POSTERIORMENTE OCEANOGRÁFICO) "ALMIRANTE SALDANHA"

Construído em 1933, por Vickers-Armstrong, em Barrow in Furness, Inglaterra, foi incorporado à Armada em 11 de junho de 1934, como o primeiro navio a ostentar na popa o nome do Almirante Luiz Filippe de Saldanha da Gama. Era um clássico veleiro tipo lúgar-escuna, de quatro mastros, com o traquete redondo, cruzando vergas, e velas latinas nos demais.

Como navio-escola realizou, ao todo, quatorze viagens de instrução de Guardas-Marinha, entre as quais uma de circunavegação, a de 1952, que seria a quarta empreendida pela Marinha do Brasil.

A 23 de dezembro de 1954 encerrava sua última viagem de instrução. A 3 de agosto de 1957 era incorporado à DHN.

Ainda veleiro, o Saldanha foi o principal navio brasileiro empregado no Ano Geofísico Internacional (1957 /58), ocasião em que, entre outras fainas, reiniciou a ocupação da Ilha da Trindade.

O navio sofreu obras de remodelação no período de 1962 a 1964, no Arsenal de Marinha. Transformava-se em navio oceanográfico, equipado com laboratórios de biologia marinha, química, meteorologia, radioatividade, geologia e ictiologia, além de seis guinchos para operação oceanográfica, três ecobatímetros e um sonar para detecção de cardumes.

O idealizador e executor da transformação, seu primeiro comandante na nova condição, era o então Capitão-de-Fragata Paulo de Castro Moreira da Silva.

As principais características do navio remodelado eram: deslocamento, 3.200 t; comprimento, 93,39 m; boca, 15,85 m; calado, 5,50 m; velocidade máxima, 14 nós; velocidade de cruzeiro, 9 nós; raio de ação, 10.000 milhas, a 9 nós; propulsão, um motor diesel, de 2.100 HP.

Passados 56 anos e 23 dias de serviço, como navio-escola e navio oceanográfico, o Saldanha tinha navegado 694.972 milhas, em 4.738,5 dias de mar, média de 85 dias de mar por ano; como navio transformado, de 105 dias de mar por ano, nos últimos 25 anos.

Totalizou 8.150 estações, em 135 comissões eminentemente oceanográficas. A 6 de agosto de 1990, realizou-se, no molhe da Ilha Fiscal, a Mostra de Desarmamento do Navio Oceanográfico Almirante Saldanha.

 

  Memória da Hidrografia (42)


 
OUTROS CONSTRUTORES DA NOSSA HIDROGRAFIA
(In Memoriam)

Que título dar-lhes? Operários? Marcos? Construtores?

O fato é que, já tendo partido de nosso convívio, ainda permanecem entre nós, a inspirar-nos o trabalho, a estimular-nos na luta contra o marasmo, na perseguição dos ideais.

Todos eles, por seus defeitos ou virtudes, são lembrados com admiração, respeito e saudade, em reuniões e almoços informais, no reencontro oficial das cerimônias.

O Souza, carinhosamente chamado Submarino, de incansável entusiasmo; o Zeca Penido, criativo e autêntico; o Bastos, com sua fina ironia; o Ivaldo, formador de vocações, meticuloso e preciso; o Páscoa, percorrendo a telurômetro as poligonais da vida.

Ferraz, sangüíneo e brigador, lutando até o último dia pela Antártica. Álvaro, que morreu em plena campanha do Maranhão. Érico, loquaz e persistente, abrindo a via da automação cartográfica, desaparecido ao largo de Tramandaí.

Todos, sem exceção, hidrógrafos de boa cepa.

Eles e muitos outros, tantos outros que partiram. Como o Castelinho, na faina da barra norte. Como o Varella e o Manhães, mortos no Canopus, em levantamento, no extremo sul.

Que título dar-lhes?

Talvez seja melhor chamá-los apenas pelo próprio nome, assim como são na eternidade.

Ou chamá-los irmãos, a esses nossos fraternos precursores na travessia do infinito.

 

  Fotos Memoráveis (09)
Fotos obtidas da Internet

Aparelho de Luz

Aparelho de Luz

Fotos fornecidas por Daltro
Molhe da Ilha Fiscal e o NHi Sirius

Desembarque na Ilha Rasa

Passagem de Comando no CAMR

Foto fornecida por Luiz Carlos
Ilha Fiscal à noite

 

  Memória da Hidrografia (43)


 

ÀS NOVAS GERAÇÕES
Vice-Almirante Paulo Irineu Roxo Freitas
(Aula inaugural do CAHO-1973)

"Não alterem nem inovem nada, sem antes procurar saber, com os que os antecederam, as razões que os levaram a adotar a linha de ação que lhes pareça errada ou ultrapassada. O segredo do êxito da DHN reside na continuidade de ação dos que por aqui passaram e na coordenação que sempre existiu entre as várias gerações que se sucederam."

"Mantenham sempre o caráter impessoal de toda a sua obra como hidrógrafos. A produção da DHN se caracteriza pelo anonimato de seus autores, cabendo a cada um de nós apenas a satisfação íntima de saber até que grau concorreu para os melhores resultados."

"Nunca permitam que seja criado um Quadro de Hidrógrafos à parte. O fato de nós todos desempenharmos periodicamente funções fora da DHN permitiu, até agora, que a nossa hidrografia não se divorciasse da realidade da MB, o que nos faz compreender melhor nossa Missão e permite que sejamos compreendidos e respeitados pela Marinha à qual pertencemos."

"Nunca permitam a fragmentação da DHN, segundo seus setores de atividades principais. A Hidrografia, a Oceanografia, a Meteorologia, a Navegação e a Segurança da Navegação, unidas como um bloco, dentro da DHN, dão-se reciprocamente um apoio inestimável, constituindo um todo grandioso e respeitável. Qualquer fragmentação resultará em rivalidade estéril e suicida, que só poderia ser útil a interesses subalternos e medíocres."

"Nunca se afastem ou se desinteressem dos grandes problemas navais e, muito pelo contrário, vivam esses problemas e lutem pela sua solução, com a mesma intensidade com que lutariam pelos problemas técnicos da hidrografia. A compreensão e a vivência dos grandes problemas navais manterão o espírito marinheiro que lhes será indispensável, para que não se transformem em técnicos embolorados, indiferentes e marginalizados, cujo conjunto acabaria encarado pela Marinha como um peso morto e incômodo, incapaz de cooperar para o seu progresso. Sejam hidrógrafos, sejam técnicos, mas continuem, principalmente, Oficiais de Marinha."

"Desenvolvam a mentalidade da máxima cooperação com todos os órgãos, navais ou não. A cooperação e o apoio mútuo permitem uma compreensão maior e facilitam o aprimoramento e a modernização."

"Sejam flexíveis, sem deixarem de ser conservadores: o equilíbrio entre flexibilidade e conservadorismo é indispensável para manter o hidrógrafo objetivo e útil."

"... O conservadorismo, o respeito à tradição, nunca deverá ser confundido com estagnação. As atividades da nossa Diretoria estão sempre em mutação, em constante evolução, e todos os esforços devem ser feitos no sentido de nos mantermos atualizados. Essa busca permanente em prol da modernização e atualização tem sido uma das nossas mais sadias tradições."

 

  Memória da Hidrografia (44)


 
NAVIOS HISTÓRICOS
NOc "ALMIRANTE ALVARO ALBERTO "

No início do segundo semestre de 1987, foi iniciado o recebimento do futuro Navio Oceanográfico Almirante Alvaro Alberto, nome que justamente homenageia o ilustre Almirante que se destacou de forma brilhante no campo da ciência e da tecnologia. Em setembro daquele mesmo ano, já no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, eram iniciadas as transformações visando às adaptações condizentes com o padrão operacional da Marinha do Brasil. Em 6 de junho de 1988,em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro, o Almirante Alvaro Alberto era incorporado à Armada, passando a ser subordinado à Diretoria de Hidrografia e Navegação. Seu primeiro comandante foi o então Capitão-de-Fragata Luiz Carlos Ferreira da Silva.

Desde a sua incorporação, o Navio OceanogrAfico Almirante Alvaro Alberto demonstrou irrefutavel pendor de profissionalismo e eficiência, tendo realizado comissões de alto nível técnico e de reconhecido pioneirismo. Assim é que, tão logo concluídas as transformações, ele se fez ao mar para sua primeira comissão de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, realizada na margem continental leste, no período de agosto a outubro de 1988. No período correspondente ao verão austral de 1988/89, participou da Operação Antártica VII, coroando de sucesso um planejamento esmerado que o credenciou como alternativa válida para abastecimento da Estação Antártica Comandante Ferraz. Em maio de 1989, realizou uma Comissão de Avaliação Operacional do sonar de varredura lateral, e, no período de setembro de 1989, realizou a segunda Comissão de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, levada a efeito na margem continental norte. Em 1990, visando adquirir dados para o planejamento das operações navais, foi o pioneiro em um novo tipo de comissão ------ a coleta de dados gravimétricos e magnetométricos ---, até então só levada a efeito por países de tecnologia avançada.

No dia 16 de dezembro de 1992, ao dar início ao regresso ao Rio de Janeiro, após o término da primeira pernada de sua Terceira Comissão de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, o Navio Oceanográfico Almirante Alvaro Alberto afundou na Lagoa dos Patos, em decorrência de acidente provocado por incontrolável incêndio a bordo.

Foi breve, na nossa Marinha, a vida do Navio Oceanográfico Almirante Alvaro Alberto. Foram apenas pouco mais de 200 dias de mar. Mas foram dias de mar profícuos. No decorrer de sua breve história, o nosso Navio Ocenográfico Almirante Alvaro Alberto produziu serviços altamente relevantes. Além de participar da avaliação operacional de equipamentos novos e sofisticados, contribuiu para a coleta de dados de interesse para as operações navais e credenciou-se como alternativa válida para eventualmente substituir o Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Teffé nas suas atividades logísticas na Antártica. Ademais, nas duas comissões LEPLAC realizadas, coletou, ao longo de mais de 14.000 km de perfis executados, dados sísmicos, gravimétricos, magnetométricos e batimétricos.

Tais dados, além da valiosa contribuição para o delineamento da plataforma continental brasileira, por certo serão de grande valia para o melhor conhecimento da geomorfologia submarina do Oceano Atlântico Sul, além de se constituírem em formídavel acervo para o desenvolvimento de teses de pós-graduação, por parte de nossos pesquisadores de universidades com vocação para a pesquisa oceanográfica.

  Extrato de artigo da Revista Maritima Brasileira, v. 114, números 4/6, abr/jun 1994.
Contribuição de ALEXANDRE TAGORE MEDEIROS DE ALBUQUERQUE
 

 

  Memória da Hidrografia (45)


 

VICE-ALMIRANTE BRAZ DIAS DE AGUIAR

Em 1907 assumiu as funções de Encarregado de Navegação do Vapor de Guerra Comandante Freitas, subordinado à Repartição da Carta Marítima.

Participou de atividades hidrogáficas no Rio Amazonas e ao longo do litoral brasileiro. Instalou e determinou as coordenadas geográficas de estações termo-pluviométricas em Manaus, Boa Vista, S.Gabriel da Cachoeira, Benjamin Constant, Tabatinga, Fonte Boa, Coari, Manicoré e Parintins.

Foi designado para escolher os locais e determinar as coordenadas dos faróis projetados para o Cabo Orange, ponto mais setentrional do litoral brasileiro, e do Cabo Norte,no Amapá. Em 1909, participou da escolha do local para o estabelecimento do Farol do Chuí, extremo sul do Brasil.

Pela sua atuação destacada em atividades hidrográficas foi escolhido, em 1910, pelo Almirante José Candido Guilhobel, Chefe da Comissão Brasileira de Limites com a Bolívia, para integrar sua equipe de trabalho. Faleceu em 17 de dezembro de 1947 no cargo de Chefe da Comissão Brasileira Demarcadora de Limites, Setor Norte.

Foram 46 anos corridos de serviços relevantes prestados ao país, sendo desse total, 30 anos dedicados, de corpo e alma, à Amazônia, que ele demarcou por inteiro.

Contribuição de PAULO CEZAR DE AGUIAR ADRIÃO

 

 


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Atualização em Dez/2002 por